Na estrada com o Pai…

Publicado em 12 agosto 2015

O clima é seco, o terreno é pedregoso, mais não se pode parar, a meta é o cume. Depois de três dias de viagem, já bem próximo do alvo, é hora de apear, e continuar o restante, a parte mais difícil da caminhada, a pé.
Todo o grupo fica para traz, agora seguem só pai e filho…
Nas mãos do pai fogo e cutelo, nas costas do filho a lenha pesada…
O vento quente bate no rosto do pai, é necessário, para ajudar a secar as lágrimas antes que o filho veja.
Nenhuma conversa… O silencio só é cortado, uma vez ou outra, quando animais se arrastam rápidos pela vegetação seca da encosta do monte, assustados com a presença dos dois forasteiros.
A pressa é grande, o fogo na mão do pai não pode apagar, e o madeiro fica cada vez mais pesado nas costas do filho amado.
Já sem forças para prosseguir, uma pausa é necessária, para enfrentar o cume mais íngreme do Moriá.
O pai evita olhar nos olhos do filho, que sem entender nada, tenta um diálogo…
_ meu pai!
_sim, meu filho!
_As brasas e a lenha estão aqui, mas onde está o cordeiro para o holocausto? ”
Já sem conseguir conter as lágrimas o pai responde.
_ Deus mesmo há de prover o cordeiro para o holocausto, meu filho”.

E os dois continuaram a caminhar juntos… nos últimos metros é inevitável para o pai as lembranças de tudo que viveu até ali.

Depois de uma vida estéril, sem filho, ele recebe uma promessa… caminha vários anos pelo deserto, até que um dia.
_ Abraão!
_ Sim, Sara!
_ quero lhe dizer algo…
_ diga, o que foi, seus olhos estão brilhando…
_ meu velho, aconteceu…
_ O que Sara? Fala logo.
_ você vai ser pai…
_ como? Não estou entendendo…
_ é isso mesmo. Se cumpriu a promessa…

O coração de Abraão enche de felicidade. Isaque é realmente um sorriso nos rostos cansados de dois anciões que nunca esconderam o sonho de dar continuidade a sua geração.
Isaque era o filho da promessa, lindo, cheio de saúde… o orgulho dos pais.
Até que um dia o céu claro e radiante pelo sol, é invadido por nuvens densas, que tira todo o brilho daquela manhã, e Abraão ouve uma voz vinda do céu.
_Abraão!
_Eis-me aqui
_tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto num dos montes que lhe indicarei”

Abraão é despertado pelo filho que com muita alegria começa a gritar;

_ chegamos pai, graças a Deus, conseguimos. Vamos logo levantar esse altar, fazer o sacrifício que eu quero voltar para casa, já estou com muita saudade de minha mãe.
_ Isaque, meu filho! Tenho algo para lhe falar…
_ diga, pai!
_ você é o holocausto…

O silencio toma conta de todo aquele lugar de tal forma, que não se é capaz, de ouvir nada…
A cena é forte, triste… Abraão constrói o altar e sobre ele arruma a lenha. Em seguida amarra seu filho Isaque e o coloca em cima da lenha.
Então estende a mão e pega a faca para sacrificar seu próprio filho. Os segundos se tornam eternos, a faca em direção a garganta do próprio filho… as lágrimas se transformam em cachoeiras… A dor percorre todo o corpo do pai. E antes que a lâmina afiada alcance o filho.
Uma voz de novo do céu, grita!
_ “Abraão! Abraão! Não toque no rapaz”
Abraão ergueu os olhos e viu um cordeiro preso pelos chifres num arbusto.

Cerca de dois mil anos depois…

_ Vejam é Ele! O cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

_ “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado”

A mesma cena se repeti, o Pai e o Filho numa caminhada. Uma via-crúcis: Caminho difícil a ser percorrido. Nas mãos do Pai a justiça e o perdão, nas costas do Filho o Madeiro, a cruz, o pecado de toda a humanidade.
Mas dessa vez, no final do percurso, o Pai está no alto do monte, e o Filho é obrigado a enfrentar o resto da caminhada sozinho. E já sabendo do que o esperava.
Ao invés de silencio, essa caminhada é marcada, por insultos, xingamentos, falsos testemunhos, acoites, humilhação e beijo de traição.

A maior dor do Pai, é não poder estar com seu Filho amado naquela hora.

_ Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste…

O cordeiro é morto… Jesus é morto, o sacrifício perfeito. A justiça foi feita, os pecados foram pagos.

Não haverá mais sacrifício, não haverá mais solidão…

O Mestre viveu esses momentos sozinho, sem o Pai, para nos garantir que nunca estaremos só.

Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos. Mateus 28:20


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