Dieese divulga estudo sobre empregadas domésticas

Publicado em 06 março 2010


Embora o emprego doméstico remunerado seja a terceira atividade a gerar mais empregos para mulheres no país, ele representa salários menores, informalidade e vínculos pessoais entre patrão e empregado que dificultam as negociações salariais. Isto é o que indica um estudo realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos (Dieese), divulgado esta semana.
“O que acontece com este tipo de trabalho doméstico é uma informalidade muito grande, 89,15% destas mulheres trabalham sem carteira assinada. Isto é uma característica da profissão”, explica a economista Alessandra de Moura Cadamuro, supervisora técnica do escritório regional do Dieese no Amazonas.
O levantamento utilizou dados da Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatístisca (IBGE) em 2008. Segundo os dados, 15,8 % das mulheres que trabalham são empregadas domésticas. A proporção só é superada pelos segmentos de Educação, Saúde e Serviços Sociais (16,8%) e Comércio e Reparação (16,2%).
No Amazonas, a situação é bem parecida, embora o percentual de empregadas domésticas no total de mulheres que trabalham seja um pouco inferior. No Estado, 13,76% das mulheres que trabalham realizam serviços domésticos, enquanto que o segmento de Educação, Saúde e Serviços sociais emprega 18,82% das mulheres e Comércio e Reparação, 17,95%.
A pesquisa indica também que a carteira assinada significa salários melhores. A maior parte das empregadas domésticas do Amazonas (89,15%) não tem registro em carteira. Elas recebem o equivalente a cerca de 60% da remuneração das empregadas com vínculo regularizado. Segundo Alessandra Cadamuro, a remuneração das diaristas contribui para esta média de ganho menor entre as que não têm carteira assinada. “Se não trabalham, não recebem”, esclarece.
Outra característica deste tipo de emprego apontada pelo estudo é o vínculo pessoal entre empregado e patrão. Como trabalham na casa das pessoas, com grande proximidade com as famílias, os empregados domésticos criam vínculos não profissionais, o que interfere na hora de decidir os salários. “Como não tem carteira assinada, a negociação é diferente. Você cria vínculo familiar não profissional, não é como no comércio, onde o vínculo é profissional”, afirma Alessandra Cadamuro.
Na maior parte das regiões metropolitanas do país, mulheres negras são maioria entre as pessoas que trabalham em casas de família. Em Salvador, por exemplo, elas representam 96,2% das empregadas domésticas. Exceção é Porto Alegre, onde apenas 28,8% das empregadas domésticas são negras. Em São Paulo, a distribuição é mais equilibrada (50,6% negras e 49,4% não negras).
De acordo com o estudo do Dieese, o emprego doméstico tem deixado de ser uma porta de entrada das mulheres no mercado de trabalho. Mais de 77% das mulheres empregadas em serviços domésticos em 2008 tinham entre 25 e 49 anos. Além disso, a proporção de jovens entre 18 e 24 anos é menor do que de senhoras com mais de 50 anos, de acordo com o estudo.
Segundo o Dieese, esta mudança pode ser explicada, entre outros fatores, pelo aumento do nível de escolaridade. Jovens com mais anos de estudos preferem buscar outras alternativas de trabalho, com mais chances de progresso e status profissional,. Além disso, os empregadores preferem pessoas mais experientes.
O baixo nível de escolaridade é outra característica da profissão, de acordo com o Dieese. “O trabalho nos Serviços Domésticos, por não exigir nível de instrução elevado, constitui uma das poucas possibilidades hoje existentes para o emprego de pessoas com baixa escolaridade, como é o caso de muitas mulheres adultas”, afirma o estudo.




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